de Giada Maria Barcellona

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Como e porque nasceu Quintas de Comadres? Quem fai parte das Quintas?

As Comadres nascemos de parto aquático-etílico, numa piscina quentinha de atmosfera plácida e relaxante. Depois, nadamos de costas e de crawl várias piscinas mais por águas de rios galego-portugueses e vimos ressurgir numa quinta de entrudo num ambiente de festa cheio de confidências sobre linguagem e género que levavam muito tempo connosco nas diferentes travessias.

Nesse entrudo em que renascemos para nos acomadrar, para tornar próximas todas as nossas experiências, decidimos que o nosso espaço é o da transgressom do poder, através do empoderamento próprio e coletivo e o nosso tempo, o carnavalesco, o do desmascaramento dos discursos e estereótipos de género erguendo e agitando as máscaras e os chocalhos da ironia e o riso. Mas Quinta-feira das Comadres nom é umha festa exclusiva dum grupo de mulheres. Frente a imposiçom e a oposiçom de género, o nosso é a coesom, a soberania e a confabulaçom íntima humana para avançarmos na deconstruçom e subversom do mundo.

Mulheres e Língua: porque credes que é necessária umha reflexom a este respeito?

Muitas vezes tivemos que escuitar que meninas nom falam rude, nem bruto, que nom dizem palavrões e por aí fora. A língua é um dos fatores mais fortes na construçom de identidade.

Será por isto que, segundo contam os dados, disque as mulheres abandonam línguas desprestigiadas, porque certa gente interpreta como falar rude? E seique o fazem antes que homens que encontram nela um ponto de uniom e identicaçom. Mas nem todas.

Nas reuniões da Quinta queríamos pensar e regouguear um bocado sobre estes temas, conhecer mulheres que construam em galego em diferentes âmbitos e poder escrever algum testamento ou queimar nalgum meco essas ideias de língua e feminidade restritiva.

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Sucessos e complicaçons das Quintas até o presente.

O primeiro sucesso é sabermos quem somos. Nom olhar para umha companheira e pensarmos quem será essa aí que disse isto ou aquilo na assembleia? Conhecermo-nos facilita a comunicaçom e o intercâmbio de ideias, significa respeitarmo-nos e saber que concordamos em muitas cousas mas discordamos noutras, e significa prestar atençom. Quantas cousas nos escapam quando nom prestamos atençom às pessoas!

O segundo sucesso é saber quem som as outras. Para isso criamos o blogue “Quinta de comadres”, um espaço virtual de informaçom e opiniom. O mundo está cheio de mulheres com língua! Só nos resta pedir-lhes que falem connosco, e ouvir tudo aquilo que nos querem contar: projetos, iniciativas, ativismo, experiência, conhecimento… é assim de simples.

O terceiro é olharmos para o mundo com olhos feministas. Com umha câmara de fotos ou pesquisando na net encontramos cousas que nos enchem de raiva, ou de alegria. Som os mecos do nosso entruido particular.

Complicações… para quê? Decidimos nom estressarmo-nos com obrigas e prazos, que já temos bastantes na vida, e improvisamos sobre a marcha, por isso às vezes vamos como a lebre e outras como a tartaruga, mas qual das duas é melhor?

As Quintas de Comadres é um grupo de mulheres dentro da AGAL, umha organizaçom mista. Considerades-vos um grupo feminista? Se é assim, como fazedes para espalhar o feminismo fora e dentro da AGAL, para fazerdes ouvir as vossas vozes e para nom criardes um “gueto de mulheres”?

Quem somos? A onde vamos? De onde vimos? Podemos ser todas as que estamos, mais das que estamos, ou mesmo menos das que estamos? Espalhamos polas corredoiras da vida, às vezes correndo e às vezes a passo de tartaruga, mas sem umha direçom muito marcada. Por enquanto, a nossa corredoira mais transitada é o blogue e a convivência ao vivo.

No gueto nascemos ou fazemo-nos? Se conseguimos responder a essa pergunta, já estaremos mais que satisfeitas. Embora nom achemos fácil haver nenhum gueto, somos um conjunto dentro doutro conjunto maior, mas também funcionamos individualmente dentro da AGAL. Som funcionamentos completamente compatíveis.

Feministas? Nom imaginamos outra forma de andar a vida.

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Quais os projetos e os desafios para o futuro das Quintas?

Conseguiremos superar a Quinta de Comadres? Com ressaca, ultrapassarmos a sexta-feira e alcançar o sábado algum dia? Já o sonho, seria chegarmos ao domingo e, até que enfim, descansar!