“Converter un predio emblemático da cidade nunha gran comunidade onde creador@s, educador@s e veciñ@s da cidade convivan de xeito democrático, que exista nel un empoderamento por parte da sociedade, que sexamos todas e todos as que decidamos que cultura queremos”

J.C.Q. do blogue de Proxecto Cárcere

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Vivemos em perpétua chantagem: o trabalho ou a vida? O “trabalho” poucas vezes se pode rejeitar e as mais das vezes apandas com que che toca – mais umha divisom binarista deste sistema patriarcal neoliberal separa-nos entre as que “trabalham” e as que “nom”, as mal chamadas “paradas”. Mas todas nós naufragamos, cada vez mais, num oceano de precariedades, de tempos e desejos recortados. O trabalho é esse jogo de armadilhas imposto: umha chantagem sobre a nossa sobrevivência, as nossas necessidades, a nossa autoconcepçom, as nossas relaçons, o nosso corpo e, em definitivo, a nossa própria vida, toda ela. As mulheres padecemos esta armadilha com muita força, mais também somos capazes de nos revirar e pormos, como tantas vezes se diz, a VIDA NO CENTRO.

As feministas estamos loucas e queremos rachar a dicotomia do trabalho de cuidados e o trabalho fora da casa, valorizando também o primeiro e mudando as lógicas que o dominam. Também começamos a apontar para a armadilha da conciliaçom, a aranheira que implica essa visom de mulher capaz de todo, que trabalha dentro, mas também fora da casa, que vai correndo dum lado para outro e aguenta, mais umha vez, todo o peso dum sistema ruim e depredador. Somos especialistas em querer romper binarismos falsos e assinalamos que as mulheres suportam no lombo toda a rede de cuidados que sustenta o mundo: os ricos — e também as ricas — pagam às empobrecidas para termar dessa “carga”, para se poderem “libertar” e serem tam livres e capazes como o bom home branco burguês, enquanto outras temos que luitar contra o empobrecimento, contra a invisibilidade, contra a falta de direitos.

Por todo isso, queremos escolher a VIDA e redefinirmos, nós mesmas, o que é “TRABALHO”. Comecemos a revalorizar tantas e tantas cousas que fam de viver algo mais pleno, mais livre, mais comum e solidário. Ativistas a tempo completo ou parcial, assalariadas, autónomas, cuidadoras, artistas… com “trabalho” ou sem ele, resistimos porque juntas nunca estamos paradas. Este 4ª número de Revirada dá boa conta disso e vem carregadinho de mulheres que se recusam a ser etiquetadas: fotografia, poesia, reflexom, resenhas literárias, receitas, ilustraçons… As nossas habituais secçons nom podiam faltar e temos um Fai-no ti mesma com os conselhos informáticos de Laura M. Castro e os truques para autónomas de Helena Sanmamede. Além disso, contamos com as interessantíssimas entrevistas à ativista e pensadora descolonial dominicana Yuderkis Espinosa e às trabalhadoras da fábrica da Triumph em Lisboa, que nos falam da sua resistência e luita polos seus direitos. Um luxo!

E se há um coletivo perto de nós que tenha demonstrado trabalho, perseverança e vontade de transformar as maneiras de fazer, de viver e de nos relacionar, esse é o PROXECTO CÁRCERE, a que queremos dedicar este número e manifestar o nosso agradecimento polo seu constante empenho em prol da recuperaçom do antigo cárcere da Corunha para uso da gente.

Dá-mos também a bem-vinda a Sara na editorial da revista, uma pessoa forte do ativismo de base da Crunha e com um dos corações mais grandes do universo.

índice

EDITORIAL E CAPA

Editorial por Revirada Feminista

“Save the Venus” (Salva a Venus) por Las Piteadas 

ARTE E CULTURA

El brotar de las plantas por Marina Rosón 
Mujeres libres e mais obras por Las Piteadas 
Nacida para facer caixa, de quen? por polo 

POLÍTICA E SOCIEDADE

Feminismo afrodescendiente y descolonial: caminando con los pueblos. Entrevista a Yuderkis Espinosa por Mariola Mourelo 

Nas redes. Manifesto. Por unhas condicións laborais feministas no sector da formación, promoción social e educativa 

OPINIÓN

Sororiedade por Alexandra Díaz García  
Unha ollada ecofeminista ás esquecidas lobismulleres por Nerea López Campaña

Heroinas por Ánxela Fernández

INTERNACIONAL

FAI-NO-TI-MESMA

Sou feminista… e agora que? Agora a estudar! por Mariola Mourelo 
A insoportable burocracia de ser “autónoma”. Capítulo V por Helena Sanmamede 
Liberdades fundamentais da informática. e IV por Laura M. Castro 

Recetas veganas. Repolo ou col asada. Hamburguesas de legumes e flocos de avea por Andrea Vegabreu 

ENTRETIMENTO

Jogos  Revirados

LITERATURA

Cuerpo por María Pérez 
Se enxergue por Ana Luíza Crispino 
Resenhas literárias por Libraría Lila de Lilith  

ARTIGO CENTRAL

Resistência organizada contra a deslocalização por Giada M. Barcellona 

GALERIA

Xubilada por polo 

CLASSIFICADAS

Ffotoeduca 

tallerdepolo 

Lésbicas creando

Étikas 

Libraria Lila de Lilith


ANÚNCIOS ACTIVISTAS

Centro Social A Comuna

Festival Feminista do Porto

Festival Feminista de Lisboa