Editorial Revirada, 1 de Julho 2016

Levou-nos um pouco mais dum ano organizar um primeiro número da Revirada, após o piloto de 23 de maio de 2015. Nesse dia de eleições municipais, recordávamos a coragem das mulheres de sair à rua, apesar da proibiçom explícita dum governo supostamente socialista (PSOE) para comemorarmos o 8 de março, que coincidia com o dia de reflexom no 2008. Quer o acaso que escolhamos mais uma vez uma data por volta das eleições políticas. Nom é talvez acaso, mas o nosso destino.

A nossa alegria com aquela primeira tentativa abriu caminho a um processo de “solidificaçom” do nosso sonho gasoso e explosivo, que terminou a ficar em estado líquido. Nós decidimos que a nossa amizade estava por cima das expectativas produtivistas habituais. Estas tiravam-nos o prazer, a alegria, a energia e a motivaçom do nosso sonho, como muito bem este capitalismo que nos envolve sabe fazer.  Contudo, também nom queríamos cair na parálise indefinida, que com frequência o olhar cara adentro faz com que nos desconectemos do nosso meio social e das nossas possibilidades de transformaçom coletiva. O capitalismo é bem-sucedido em nos colocar no binarismo entre hiper-produtividade e hiper-parálise para nom nos deixar ver qualquer cor da imensa gama que se encontra entre um canto e o outro. E aqui estamos.

Feminismos Take-Away” é uma representaçom do atual momento em que nos movemos, em que com euforia achamos ter ao nosso dispor a tecnologia, o conhecimento e a facilidade para podermos construir o nosso próprio movimento, plataforma política ou projeto laboral e vital. Simplesmente é colocar na combinaçom de preferência as peças que melhor se acomodem aos nossos interesses e necessidades. Com certeza, é fascinante ter a oportunidade de participar como indivídua, importante isto, como indivídua, na construçom coletiva da realidade que habitamos. No entanto, estas peças de que dispomos nom nos som familiares, confundem-nos, nom temos ideia de como vão funcionar juntas, e depois de meses de desejo, trabalho e expectativas, olhamos para o nosso puzzle sem saber muito bem em que é diferente e em que é igual a nossa criaçom do que já antes existia e que clamávamos nom querer nunca mais .

O Reino Unido decide sair da Uniom Europeia, o Partido Popular espanhol continua a ser o partido com mais votos nas eleições estatais, presenciamos o Dia do Orgulho mais “institucional” talvez da história, da nossa história. É difícil saber onde terminam os movimentos sociais e onde começam parlamentos, concelhos e empresas laborais. Andamos todas a falar de confluência, uniom, participaçom, igualdade, paciência, consciência, rebeldia, transformaçom… como se recitássemos a lista da compra da semana. Política Take-Away. Escolho este “menu” como o mais apetecível, inovador e a experiência total, para aos 20 minutos deitar no lixo o que ainda fica dele, e que realmente lhe sobrevive com mais força e tempo, a embalagem.

Estamos num momento líquido, tanto a Revirada como o mundo ocidental, branco, europeu, precário (que pode tomar gin-tonics de tanto em quanto); no qual temos que dizer adeus, com saudades, a uns jeitos de fazer, sem sabermos com que os havemos de substituir, e se os queremos substituir. Somos presas do tempo, que nos di o que podemos e nom podemos fazer, e que também utilizamos para nos permitir existir e desaparecer. Neste contexto, também é justo dizer que surge, especialmente nas margens, nas que ficam fora, nas que nom souberam ou quiseram fundir-se totalmente, ou de jeito nenhum com as ganhadoras dos diferentes níveis do jogo da “new democracy”, um novo germe de movimento. Algo que se move e que procura outra terra onde ir abrindo caminho. Irá-se vendo que sai daí também.

Que estamos realmente a fazer para a coletividade com todas estas transformações individuais? Estamos a contribuir para a revoluçom ou para a transiçom a um novo estado neoliberal? A Revirada, como todas, está a experimentar entre mundos, e nom estamos livres de pecado; mas, de momento, situadas na (auto)crítica e na indagaçom de diferentes e extremas realidades, é aí que nos posicionamos e encontramos com todas vós.

Revolution is not a one-time event”

                                         Audre Lorde

Audre Lorde

Audre Lorde (1934 – 1992) escritora afro-americana, feminista radical, lésbica e ativista dos direitos civis. Das feministas brancas dos Estados Unidos chegou a dizer “as ferramentas d@ am@ nunca vão desmantelar a casa d@ am@”.

Para conhecer mais sobre Audre Lorde visita Audre Lorde

 

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CONTEÚDO Nº1 “FEMINISMOS TAKE-AWAY”

Editorial Revirada Nº1

Feminismo Take-Away:

+ Feminismo Pop por Elena Agrelo

+ Activismo Feminista de Ximena

+ Sem título de feministas low cost

+ Resultados da enquisa: E tu que opinas?

ARTE E CULTURA

Puritanismo Rancio en el Arte de Laura Pazos

Roberta Soler: Diversidad y Eclecticismo

Paridora de Luz de Elena Agrelo

Replantear la Cuestión de la Identidad: Claude Cahum – fotografia de Alexandra F. Neyroud

Assolo – rassegna cinematografica di Ilaria Letterata

ENTRETIMENTO

Bandas desenhadas de Laura Arjonilla

FAINO TI MESMA / DIY

A Insoportable Burocracia de Ser “Autónoma”:

+ Capítulo II de Helena Sanmamede

Dicas Tecnolóxicas:

+ Liberdades Fundamentais na Informática de Laura M. Castro

FEMINISMO INTERNACIONAL

Notas Caprichosas Sino-Ocidentais:

+ Activismo Autónomo. A China está perto de Giada Maria Barcellona

As Marías do Loureiro: Feminismo, Comunidade e Universidade na Coimbra do século XXI de Mariola Mourelo

Rádios daqui e acolá:

+ “Feminist Dating ou Vida Namorosa duma Feminista” de O Clítoris da Razao

+ “A Esquina é de Quen a Traballa” de A Resistencia do Dedo Medio

LITERATURA

Distopia no Feminino ou anti-utopia feminina de Aida Suárez –  resenha de Livraria Confraria Vermelha

Sangue 12 de Cris Pavón – resenha de Libraria Lila

Machismos: de micro nada de Fiadeiras – resenha de Libraría Lila

OPINIOM

O Fim do Piropo ou o princípio do Respeito de Amélia, avó de Carrapuchinha Vermelha

Outra cosita que pasa a los 30: Y tu cuando? de María Loira

POLÍTICA E SOCIEDADE

Acomadrar na AGAL: As Quintas de Comadres por Giada Maria Barcellona

Asociación Gitanas Feministas por la Diversidad de Marta Casal e Paula T. Espiñeira

Queer and Feminist Perspectives Against Austerity: A Coruña by Antía Pérez Caramés and Editaquetedita (Galician and Spanish with English subtitles)

SEXUALIDADE

Sair do Armario non existe de Mai Insua (Lésbicas Creando)

Queerdidática

+ La Cultura de la Violación. Como acabar con ella de Queeravengers

Saltando la Linea Roja

+ Los Juguetes Sexuales al Lavavajillas

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