de Giada Maria Barcellona

A fábrica de roupa interior Triumph, a funcionar desde 1961 em Sacavém, perto de Lisboa, chegou a reunir quase 530 trabalhadoras e trabalhadores.  Em 2015 começou a difundir-se a notícia de que as fábricas europeias da Triumph iam fechar, porque o trabalho ia ser deslocalizado para a China, Marrocos e a Índia.

Em setembro de 2016 a empresa foi comprada pela TGI-Gramax, de capitais suíços e alemães, que, num primeiro momento, assegurou garantir a continuidade das trabalhadoras. Um ano depois, alegando não ter encomendas para fazer face aos custos, começou um plano de reestruturação que previa a redução de 150 postos de trabalho. Em dezembro de 2017, com três meses de salários em atraso, a empresa declarou a insolvência mas as trabalhadoras, sem notícias da parte da empresa sobre o futuro da fábrica, ainda sem garantia de subsídio de desemprego, iniciaram vigílias nas instalações para evitar a saída das máquinas e de material valioso.

É 30 de abril 2018, estamos em Sacavém, cidade do concelho de Loures, nas imediações de Lisboa, diante das instalações da antiga fábrica têxtil Triumph.  Vimos ter com Maria Lucinda Carvalho Fernandes e Maria Madalena Pereira Jesus Franco, trabalhadoras da fábrica e protagonistas, juntamente com outras colegas, das ações de resistência que duraram até que tiveram garantia de ver assegurados os seus direitos. Falamos dos seus inícios como trabalhadoras, da crise e das circunstâncias que levaram à resistência organizada.

Como começaram a trabalhar na Triumph? Como é que conseguiram emprego? Havia pessoas da família que já trabalhavam lá?

Lucinda: Comecei a trabalhar na empresa com 20 anos, tinha casado há pouco tempo, já tinha um filho, a minha irmã e a minha mãe já trabalhavam lá, no refeitório e na produção. Ainda era na altura em que íamos fazer inscrição hoje e amanhã éramos chamadas para trabalhar. Então, fui como costureira, pois passados nove anos deram formação para controladora de qualidade. Trabalhei lá 40 anos, nove em costuraria e o resto em controladoria.

Madalena: Eu tenho 46 anos, logo vou fazer 47. Entrei na empresa em ’92, como costureira e foi através de conhecimentos de pessoas amigas: foram-se inscrever elas e eu acabei por me inscrever. Estive 16 anos como costureira, em 2008 passei a encarregada monitora. Pertenci ao Comité Internacional [da empresa] e à Comissão Trabalhadora também.

Como era a composição da empresa? Eram muitas operárias, havia também homens? Que responsabilidades tinham as mulheres? Que lugares ocupavam os homens?

Madalena: A fábrica numa altura teve muitos trabalhadores, chegamos a ser mil e tal trabalhadoras, a maioria mulheres. Eu entrei diretamente para Camarata que era a filial que se fez pelo incêndio que houve nas instalações de Sacavém. A fábrica de Sacavém estava em manutenção e o pessoal passou tudo para Camarata. Portanto eu entrei em ’92, em 94 já passei a efetiva em Sacavém nas instalações novas.

Lucinda: Aquela foi uma situação para ver o género da empresa que era. Houve um incêndio em Sacavém e a filial de Camarata não tinha capacidade para mais de mil pessoas, então ficaram cerca de 600 pessoas em casa, por seis meses, cobertas pelo seguro também e pela empresa: recebiam todos os meses o ordenado para assegurar que aquelas costureiras, que eram mão de obra especializada, estivessem prontas para voltar ao trabalho quando as instalações estiveram prontas. Quanto aos homens, eram mais nos postos de armazém, administrativos e mecânicos.

E na direção?

Madalena: Na direção sempre foi um homem, ultimamente é que foi uma mulher. Há seis, sete anos atrás, o nosso gerente nomeou Dona Ana Bela como gerente da empresa de Portugal. Foi o primeira portuguesa a gerir uma empresa alemã em Portugal.

Sacavém tem tradição operária?

Lucinda: Era uma zona muito fabril, tinha fábrica de louça, fábrica de tinta, laca. Ainda tem alguma, mas a fábrica de louça há alguns anos também fechou. Todas são deslocalizadas para outros países: foi o que aconteceu a nós.

Se tivessem de resumir estes anos de trabalho antes da crise, como poderiam resumir?

Madalena: Para mim foi uma excelente experiência profissional e pessoal, também porque entrei muito novinha, com 21 anos, e lá praticamente aprendi tudo o que sei, foi quase o meu primeiro emprego. Era um trabalho de que gostava muito, fui muito feliz durante estes anos na empresa, em termos de camaradagem, em nível profissional e pessoal.

Lucinda: Nós naquela empresa, na Triumph, éramos preparadas e tínhamos muita qualidade. Trabalhávamos muito, é certo, trabalhávamos na produção e trabalhávamos por objectivos, mas no fundo sentíamos-nos bem porque os ordenados não eram maus, comparados com outros trabalhos – podia-se considerar uma empresa familiar. Tínhamos muitas regalias e subsídios para os filhos, tínhamos “o dia Triumph”. Era um dia em que nos juntávamos todas, íamos de camioneta e almoçávamos, confraternizávamos todas. Havia muita humanidade, muita ligação umas com as outras. Havia muito trabalho, mas também havia aquela união, aquele bem-estar de todas”.

Quando é que começaram os primeiros sinais de crise?

Madalena: Eu já fazia parte do Comité Internacional e começámos a perceber que a nível da Europa estavam a fechar todas as empresas e a nossa, de Portugal, foi a última. Quando em 2015 disseram que iam deixar de produzir em Portugal, porque não era rentável, o gerente garantiu arranjar compradores para manter os postos de trabalho. Eu fui uma das pessoas que lhe perguntei diretamente porque não dava hipótese de indemnizar as trabalhadoras e depois que cada uma quisesse seguir o caminho a partir de zero. Mas ele disse que não, que não era o seu objetivo, mas que se não conseguisse arranjar compradores, que nos ia indemnizar. E depois…

Como reagiram as companheiras a essa primeira notícia?

Madalena: Começou um ambiente de instabilidade. Começámos pela primeira vez a pôr em causa tudo aquilo que em que estivemos confiantes.

Lucinda: Aquele crédito que eles tinham, aquela confiança que nós tínhamos neles, principiámos já a olhá-los doutra maneira. Depois, em 2016, foi então que nos deram a notícia que as fábricas na Europa iam fechar e a nossa produção ia para a China, Marrocos e para a Índia. Mas durante um ano iam-nos garantir trabalho e iam arranjar um comprador para ficar connosco. Em 2016 apareceram estes investidores: recebemos uma carta no dia 29 de agosto em que insistiam a continuar a trabalhar um ano com as encomendas da Triumph e arranjar novos clientes para continuar com a mesma quantidade de trabalhadoras. Ainda éramos 535 trabalhadoras. Nesta situação dissemos: “Senhor, senhores, a fábrica é sua, o senhor faça com a fábrica o que entender, mas nós o que gostaríamos que acontecesse era que fechasse, nos indemnizasse e cada qual seguisse o seu caminho”. Mas a resposta foi a mesma: “Não, não isso não pode ser”.

Organizaram-se naquele momento?

Lucinda: Não, foi só um grupo pequenino, por acaso fiz parte deste grupo.

Os gerentes incutiram-nos muita esperança, diziam que tudo ia bem, que íamos ficar super bem, mas nessa altura um grupo começou, com o apoio do sindicato, a dar conferências, a informar a comunicação social, a ir a manifestações para dar a conhecer ao País o que estava a acontecer, a deslocalização do trabalho. Só que havia ainda um número grande de colegas que acreditavam no Pai Natal, que acreditavam que os novos investidores iam arranjar clientes novos e que íamos continuar a trabalhar bem.

Primeiro, começaram a cortar regalias: antes, quando fazíamos os dez, os 25 ou os 40 anos recebíamos aquele prémio, mas cortaram logo. Começaram a descer na produção, a introduzir outros trabalhos de outros clientes novos, mas não conseguíamos atingir os objetivos e começaram a roubar à machadada no ordenado. Pessoas que chegavam a ganhar 700 euros ao fim de mês, recebiam 400-500: é muito dinheiro de diferença! A motivação desaparece, o medo instaura-se, as pessoas notam que vão para atrás, mas mesmo assim nestas alturas ainda não houve muita união, ainda havia pessoas que tinham esperança, que diziam: “Isso vai melhorar”.

Os clientes novos que eles arranjavam mandavam encomendas imprecisas, não traziam descrições, havia peças que ficavam sem qualidade, com um preço exorbitante. Acho que fizeram encomendas a perder dinheiro! Deixámos de ter confiança nas pessoas que estavam acima de nós, que nos geriam, começámos a ver que os dias bons eram 15 ou 16 cada mês e cada vez pior. E de parte das gerência insistiam que “que dinheiro não faltava”.

Em outubro estivemos primeiro 15 dias, depois outros 15 dia, em casa com o ordenado pago. Já nos andavam a enganar, começámos a ver muitas coisas torcidas, que nos estavam a esconder muitas coisas. Costumávamos receber o subsídio de Natal em 15 de novembro: disseram que não íamos recebê-lo em novembro, como era habitual nos outros anos, mas que se comprometiam a pagá-lo no médio de dezembro. Ainda vivemos aquela ilusão, demos um voto de confiança. No mês de novembro não nos pagaram uma semana, nós questionámos e disseram: “Ah, estamos à espera dum investidor”, “isso tem pernas para andar”, “vocês mantenham a calma!”. Esperámos até ao dia 15 de dezembro: aquele dia abalámos lá acima e confrontámos-nos. Todos os dias. Era reuniões todos os dias. Éramos as 400 e tal. As outras foram-se embora, porque a gerência pôs um papel em que dispensavam do trabalho as pessoas que quisessem ficar em casa”.

E depois, o que aconteceu?

Lucinda: Eles começaram a ver a nossa força porque já éramos todas, já não era só meia dúzia das ovelhinhas ranhosas, daquelas que eram revolucionárias. Então, confrontámos o gerente e ele disse que estava à espera duma resposta, porque havia investidores. Passámos um Natal sem saber o que ia acontecer, sem dinheiro para comprar nada, com angústia. O gerente já tinha dito ao investidor, que seria melhor a insolvência, porque não havia clientes para tantas trabalhadoras. Mas, como ainda havia encomendas para os clientes, todas ainda trabalhámos, mas as encomendas vinham e voltavam porque estavam mal! Era uma desmotivação! Aquilo era um caos!

Madalena: Vinha gente paga para nos dizer que o trabalho não estava bem. Mesmo para arranjar um protesto. Nunca podia ser por causa deles, sempre devia ser por causa nossa. Tentaram tudo.

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Lucinda: Depois, nessa altura, no dia 28 deram a insolvência. Depois, os gerentes decidiram que todas as pessoas que quisessem ficar em casa, que estavam justificadas e nós “Espera aí!” começámos a estar alerta, duvidávamos de tudo! Eles queriam que a gente abandonasse aquilo tudo!

No dia 5 janeiro eu estava com uma colega no armazém de embalagem. Estávamos sem trabalho, passávamos o tempo a ler, a jogar no telemóvel, a fazer malha, mas não aceitámos ficar em casa. De repente, escutei que do gabinete técnico mandaram meter material de 40 e tal mil euros na transportadora para levarem, mas o material não era do cliente, o material era da nossa empresa, da Gramax! Agarrei no meu telemóvel e liguei para o sindicato: “Marta, reúne as pessoas o mais que puderes e vem cá: está aqui uma transportadora para roubar material que é da Gramax: não vamos deixar sair o material!”. Olha, estava a acabar de desligar o telemóvel, já vinham! Não deixávamos sair as coisas. Estava ali a responsável do gabinete técnico que insistia: “Isso é do cliente! Vou chamar à polícia”. “Olha que engraçado! – disse eu – Vai chamar à polícia para dar possibilidade aos ladroes de roubar. Não, não deixamos daqui sair nada!” Entretanto, o senhor da transportadora disse: “Olha, eu recebi agora um telefonema lá da cima a dizer: “Você vai embora para casa, quando estiverem mais calmas, voltas e carregas as coisas!”.

Então, decidimos fazer piquetes desde as nove da manhã! Telefonamos para a SIC [canal de televisão privado em Portugal] e para a TVI [Televisão Independente, outro canal televisivo privado], mas sempre seguindo os conselhos do sindicato. A advogada sindical na hora do almoço já lá estava para nos ajudar. Chovia aquele dia, chovia! Repetíamos: “Não sai, nem entra ninguém!” A TVI começou logo a fazer direto: às 9:30, às 22, já de lá não saíam. Tivemos que começar a fazer piquetes. Se não, levavam-nos tudo: os gerentes estavam a espera que nos fossemos embora. Pensavam que éramos parvinhas: “Às manifestações vão uma meia dúzia, mas outras não”. Olha, tenho 62 anos, mesmo pensei: “Como é que não tive medo?” Mas já não tínhamos nada a perder! Era uma sexta-feira, então tínhamos que arranjar pessoas para ficar de noite até à segunda-feira. Criámos uma lista na Internet, num grupo fechado, e começámos a fazer turnos de quatro horas, com um mínimo de 5 pessoas.

Madalena: Eu fui sempre de noite. No último dia fiquei das quatro da tarde às nove da manhã do dia a seguir. Mesmo que não estivesse lá, não conseguia dormir: ia para cama, mas quantas vezes me levantava da cama: “Vou para o pé delas!” Os homens eram sempre praticamente os mesmos, mas foram as mulheres as guerreiras que estiveram na linha da frente. Continuámos a fazer as vigílias até que veio esse processo e vocês tiraram conhecimento: tivemos muito apoio.

De que movimentos sociais receberam apoio?

Lucinda: O primeiro apoio foi do Partido Comunista Português (PCP) local, de Sacavém. Colocou a primeira tenda e uma fogueira, porque aquele ano chovia tanto! Primeiro tínhamos só uma tendezinha com um fogareiro. Depois, a Câmara Municipal de Loures meteu-nos lá uma casa de banho, uma casinha. Apareceu também o Bloco de Esquerda: na segunda semana o refeitório da fábrica parou, não tinham dinheiro para o pagar. Mas houve muita solidariedade: os escuteiros prestaram-nos um fogão, o comércio local, as pastelarias aqueles bolos e o pão que durante o dia não vendiam, iam lá  entregar à meia-noite. Lá foi também a União Mulheres Alternativas e Resposta (UMAR) com a jornalista Maria Antónia Palla, mãe do primeiro ministro António Costa.

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Foi só no final de fevereiro que a gente recebeu um subsídio. Então havia colegas que já tinham cortada a água e a luz porque não tinham dinheiro para pagar. Nós, o pouco que tínhamos, íamos dando umas às outras. O que custou mais foi na noite de Natal, sem sabermos do nosso futuro: as colegas na noite a fazer as vigílias, a insegurança, o que vai ser da nossa vida, o que é que nos vai acontecer.

Tivemos também muito apoio: a UMAR quando já estávamos na parte da insolvência, no dia 8 de março, organizou um jantar, veio-nos homenagear. O Bloco de Esquerda organizou uma ação extraordinária na Assembleia da República, fomos ao ministro da Economia, Dr. Caldeira Cabral, e entregámos um cinto de ligas que nós produzimos (para o Governo não se esquecer de nós, para ele intervir e evitar o encerramento da fábrica). Estes apoios podiam não ter vindo logo nesse dia, mas vieram. O fundo de garantia salarial, o fundo de desemprego são coisas que demoram muito tempo de trabalho, mas passámos para à frente doutros casos. Começámos a receber subsídio de desemprego no final de fevereiro, quando não era pensado isso, porque a administradora de insolvência veio só no dia 25 de janeiro”.

Como está a situação?

Madalena: Recebemos agora o fundo de garantia salarial que é aquele fundo, equivalente a 18 ordenados mínimos, que é dado do Estado quando a empresa dá a insolvência e não tem ordenado. O normal é recebê-lo 6-7 meses após, nós já recebemos com dois meses.

Lucinda: Agora, no dia 3 vai haver o primeiro leilão. Se conseguirem vender o grupo, as instalações e as máquinas, pode ser que ainda recebamos de indemnização alguma coisa rápido. Estamos à espera disso, para nós recebermos as nossas indemnizações. Para colegas que têm 30 anos, que estão no começo da carreira, tudo bem, mas as pessoas que já estão com 50 e tal anos, que é o caso da Madalena… Eu tenho 62, a reforma é aos 66. Estou um bocadinho mal, porque estamos a receber do fundo do desemprego 65% só, tenho uma diferença de ordenado de 200 euros. Os ordenados não eram grandes e esta diferença nota-se muito. Mas em relação a elas a minha expectativa já não é das piores, porque daqui a três anos no fundo de desemprego, logo tenho direito à reforma. Mas estas pobres com 51, 55, 56 anos…mercado de trabalho não há! E somos muitas no nível do mesmo concelho. Vai ser complicado porque ao nível de empresa têxtil, que é a nossa área, não temos nada.

Como grupo de trabalhadoras estão a manter união neste sentido?

Madalena: Um grupo pequeno relaciona-se, temos grupos na Internet, todos os dias vamos lá dizer “bom-dia”, “boa-noite”. É o que nos faz falta! Do qual temos saudades e posso dizer que na semana passada estive com colegas e quando as vi começaram a chorar. Porque é uma saudade muito grande e a gente não consegue. A gente sente saudades disso, de estarmos uma com as outras, de nos sentir úteis, porque ainda somos pessoas muito válidas e com muitas capacidades.

Lucinda: O ministro Caldeira Cabral e o presidente da Câmara Municipal de Loures foram em janeiro às instalações e os gerentes disseram-lhes muitas mentiras, que já tinham investido muito dinheiro, que nos estavam a dar formação. Fizeram uma reunião no show room só com a comunicação social e meia dúzia de colegas. Nós nesta altura já tínhamos coisas para dizer e dissemos ao ministro que ele tirasse exemplo disso e que não deixasse no futuro vir esta gente má doutros países. O primeiro mal foi Spiesshofer [o que foi dono da Triumph]. Era uma empresa familiar há 125 anos, sabíamos que era familiar porque vivemos aqueles anos. Dum momento para outro fazer-nos o que se nos fez! O primeiro a faltar-nos ao respeito foi o patrão, que era o que nos conhecia: entregou-nos a estes! Pensou: agora vou sair limpo, vou sair com a imagem limpa. Mas nós não éramos aquelas parvinhas, fomos mulheres de garras, mulheres guerreiras, de que eles não estávamos à espera! Mas só nos unimos quando nos mexeram no bolso, porque no ano 2016, quando fomos à rua duas ou três vezes para dar a conhecer a situação, éramos só meia dúzia, mas se fôssemos todas, podíamos queimar a marca Triumph, pressionar para um boicote do produto Triumph.

Las Piteadas com as trabalhadoras Triumph

Conhecem também a Valentina das Piteadas que foi quem me contou a vossa história e que fez um cartaz em vossa honra.

Sim, é muito simpática. Toda a gente sabia da nossa situação. Fomos muito acarinhadas por toda a gente e todo este processo provocou que recebêssemos já o fundo de garantia salarial, porque o teríamos recebido, se calhar, só daqui a nove meses ou um ano. De agora para adiante, tentar arranjar um trabalho.

Sete meses depois desta entrevista, voltei a entrar em contacto com a Lucinda e a Madalena. Lucinda referiu que umas colegas estão em formação, outras criaram postos de trabalho e que ela está à espera de janeiro de 2019 para ver se pode reformar-se. A Madalena contou que está a tirar um curso de assistente administrativa, acabou um curso de inglês, vai completar a escolaridade obrigatória para entrar no mercado de trabalho.

Por palavras de Lucinda: “A vida tem sido um dia de cada vez: umas vezes revoltada, outros dias com esperança”.