A Universidade de Santiago de Compostela ignora um possível delito de ódio por razom de género cometido por um professor.

Estudantes sancionadas apresentam recurso à USC.

                                                                                    de Giada Maria Barcellona

 

Um professor fai comentários humilhantes e degradantes em referência a umha aluna. Critica-lhe repetidas vezes o “escote perturbador” e “as tetas”.

Apresenta-a como um objeto sexual, cuja vista lhe dá satisfaçom (“Para vir así, ven sen nada ou vente directamente en pezonera ou directamente ensínanos as tetas”) e o perturba (“Desconcentranme o ruído dos bolígrafos e o escote de María”, “Se queres levar o escote até o embigo, por favor, diríxete á última fila”)*.

Diante do protesto do resto da turma e dumha aluna que o chama “machista asqueroso”, este professor reage com frases como “Se fose machista, te pegaría (SIC) unha hostia” e “Vou disfrutar das tetas das túas companheiras”, “Pecho a persiana para ter intimidade porque co ambiente que hai igual vai a mais”.

No seu menosprezo das mulheres em geral e das alunas em particular, chega a pontificar sobre a testosterona, definida como “hormona complicada [que] pode ser umha aliada que estimula e motive e pode ser tamén o peor dos enimigos, que faga o varón vulnerable e débil”. Nom faltam comentários  – publicados por ele num médio de comnicaçom – sobre a autoridade do professor como “representante da sociedade, que debe velar porque o servicio público se preste nas mellores condicións posibeis […] tanto os ruídos, como calquera cousa que altere o normal desenvolvemento desta actividade diminúe a calidade da docencia e debe ser correxida polo profesor”.

Caro Professor, se a testosterona o impede de concentrar-se, se o aspecto físico dumha aluna o perturba até o ponto de ser incapaz de fazer bem o seu trabalho, se um “escote” diminui a qualidade da docência, seria talvez bom que considerasse a eventualidade de mudar de ofício. Porque, em caso contrário, poderia pensar-se que a testosterona o incapacita para dar aula a mulheres. E poderia pensar-se que essa hormona desembocada vai ter perigosas consequências.

A questom é clara: um homem que nom sabe “dominar-se” culpa o objeto da sua luxúria. “Foi ela que me provocou!”. Enfim, a frase de sempre. Mas a diferença é que o homem em questom é um professor da universidade que se aproveita da sua posiçom e se lança a teorizar umha realidade muito mais mesquinha e banal.

A resposta da Universidade está na linha do professor: abrir um “expediente sancionador” contra duas dxs estudantes que protagonizárom o protesto. Quanto ao professor, é “sancionado” com dous meses – os de verao – de suspensom de trabalho e soldo.

Segundo a versom da Universidade, a base do “expediente sancionador” está num designado “Expediente Informativo-Información Reservada” que terá servido para o “esclarecemento, determinación e valoración dos feitos […] do día 17 de marzo”. Mas neste suposto “Expediente” nom  se descreve nengum facto que ocorreu durante o protesto, nem tampouco se identificam os supostos danos causados durante o mesmo. O referido expediente resulta da aplicaçom do Reglamento de disciplica académica de los Centros oficiales de Enseñanza Superior y de Enseñanza Técnica dependientes del Ministerio de Educación Nacional (promulgado em 1954, em plena ditadura franquista portanto) e nom é corroborado por qualquer evidência. Nom se dam provas e nom há referência a qualquer delito, umha vez que o protesto do estudantado foi pacífico e nom provocou danos.

Polo contrário, é o próprio professor que produz provas de comportamento machista, agressivo e humilhador.

Nom há motivos suficientes para a Universidade de Santiago de Compostela  denunciar à Fiscalia tais factos?

Nom aceitamos um machista como “representante da sociedade” e nom aceitamos que umha instituçom pública encubra um possível delito de ódio por razom de género.

O que é que terá que acontecer para que intervenha a Comissom de delito de ódio por razom de género?

Até quando havemos de esperar para que a USC aja de acordo com a sua responsabilidade e comunique aos Julgados pertinentes o que se passou?

 

* Estas e as seguintes frases citadas constam do documento de “Alegación e Proposicións de Proba” apresentado na USC polas alunas sancionadas, em 30 de agosto 2016.